Vitória da Conquista: funcionária de ambulância é flagrada descartando EPIs em lixo na rua após atender paciente com Covid-19, diz prefeitura

Prefeitura de Vitória da Conquista afirma que, na lixeira, foram encontrados máscaras luvas e avental. Prefeito diz que determinou autuação de hospital e empresa.

Foto: Arquivo Pessoal

Uma funcionária de uma empresa que presta serviços de ambulância foi flagrada descartando equipamento de proteção individual (EPI) em uma lixeira na rua onde fica o Hospital das Clínicas de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. A informação foi confirmada pela prefeitura da cidade, que informou também que o caso aconteceu na noite do último domingo (24), quando os três profissionais deixaram um paciente com Covid-19 na unidade hospitalar. Um morador registrou, em vídeo, a ação da funcionária.

Através de publicação nas redes sociais, a prefeitura de Vitória da Conquista informou que, na lixeira, foram encontrados máscara comum, luvas, avental e máscara facial hospitalar, também conhecidas como viseiras. Na manhã desta segunda-feira (25), funcionários da Secretaria de Serviços Públicos estiveram no local e fizeram total desinfecção da lixeira e da área do entorno.

Segundo a prefeitura de Vitória da Conquista, os funcionários são vinculados à empresa Vida Plus Ambulâncias, que trouxe um paciente do município de Pau Brasil, localizado no sul da Bahia, para o Hospital das Clínicas. O prefeito de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão, determinou a autuação da Vida Plus Ambulâncias e do Hospital das Clínicas.

Em nota, o Hospital das Clínicas afirma que, assim que tomou conhecimento do descarte irregular de EPIs, providenciou o recolhimento do material e a desinfecção de todo o local e do seu entorno. A unidade hospital acrescenta que entrou em contato com a vigilância sanitária e demais órgãos públicos responsáveis para que analisem a conduta da empresa quanto ao descarte dos equipamentos.

Por telefone, o G1 entrou em contato com a Vida Plus. Exuperio Farias, enfermeiro e responsável técnico da empresa, afirmou que a equipe responsável pelo atendimento é composta de um médico, um enfermeiro e um condutor. Ele disse que entrou em contato com a enfermeira, que admitiu ter descartado um forro de maca no lixo. Farias afirma que essa não é a orientação da empresa.

“Entrei em contato com a funcionária, que não sabe por quê, mas descartou forro de maca naquele balde. A orientação da empresa não é essa. Seguimos todos protocolos da Anvisa, atendimento hospitalar móvel. A orientação é de que todos os nossos resíduos, infectantes ou não, devem ser recolhidos dentro do veículo e trazer de volta para a base para dar destino”, explica Farias.

A nota da prefeitura acrescenta que o caso “envolve tanto questões ambientais, quanto sanitárias” e que o hospital “será autuado com base no artigo 3° da Lei 6437 de 1977, que afirma que “o resultado da infração sanitária é imputável a quem lhe deu causa ou para ela concorreu”. Já a empresa Vita Plus, segundo a prefeitura, responde, além do artigo 3º, “na Resolução número 306/2004 da Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária”.

O Hospital das Clínicas afirma que o departamento jurídico da unidade adotou medidas para que a empresa e os funcionários que realizaram a conduta irregular sejam responsabilizados.

Procurador responsável pelo caso, Edmundo Ribeiro Neto afirma que serão feitas autuações de advertência, mas, em caso de reincidência, o hospital pode ser obrigado a pagar multa, assim como a empresa de transporte. Neste caso, a multa pode variar de R$ 200 mil a R$ 1,5 milhão.

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