Valença: Moradora acusa Santa Casa de negligência em parto; diretor defende unidade

Segundo Erenice dos Santos, o fato ocorreu na última terça-feira (23) quando acompanhou a filha, de 16 anos.

Uma moradora de Valença, no Baixo Sul, acusa a Santa Casa de Misericórdia de negligência em um parto que resultou na morte da neta dela. Segundo Erenice dos Santos, o fato ocorreu na última terça-feira (23) quando acompanhou a filha, de 16 anos, que tinha entrado em trabalho de parto. “Eu tava na sala do médico. Eu vi tudo. Isso não pode acontecer”, desabafou em entrevista ao Bahia Notícias. Erenice dos Santos conta que elas chegaram na unidade de saúde por volta das 6h. Uma enfermeira fez o primeiro contato com a adolescente às 7h, e às 8h ela foi atendida por um médico.

“Ele chegou, olhou, pediu todos os documentos. Pediu para ela deitar na cama. Fez o toque ara ver a condição do bebê. Pediu também para ela tomar o remédio de pressão e depois encaminhou para a sala de parto porque ela estava entrando em trabalho de parto”, narra. Erenice diz que as dores aumentaram na gestante e por volta das 11h, uma enfermeira mediu os batimentos cardíacos, afirmando que “estava tudo bem”. No entanto, a situação ficou mais séria. A bolsa amniótica tinha se rompido. “A enfermeira veio, veio outras três estagiárias, e nós ficamos tentando fazer com que a criança saísse pra fora. Minha filha fazia muita força”, acrescenta.

Erenice afirma que quando foi por volta das 11h50, o médico chegou, fez um procedimento para aumentar a passagem por onde a bebê sairia, tirou a criança, tentou reanimá-la, mas não havia mais o que fazer. “Vocês mataram a criança”, acusou. Ela diz que a filha deveria passar por uma cesariana [parto cirúrgico] devido ao fato de ela ser adolescente e por complicações na gravidez. A adolescente também é hipertensa. Na mesma terça, Erenice Santos fez uma queixa na delegacia contra o hospital. Uma perícia feita no corpo do bebê deve ajudar na investigação do caso. Ontem (27), uma audiência marcada na delegacia da cidade ouviu a gestante, dando continuidade à investigação.

Resposta da Santa Casa

O diretor-técnico da Santa Casa de Misericórdia, Renato Fonseca, lamentou o ocorrido e disse que não houve negligência por parte da unidade de saúde. Segundo ele, havia médicos no setor, que só se dirigem à sala de parto após pedido da enfermagem. “Essa demora não existiu. O médico foi ao local, ajudou no parto. Eu entendo a dor, o sofrimento, porque também sou pai”, disse.

O diretor declarou que vai esperar a autópsia, feita no corpo da bebê, mas acredita que a causa do óbito tenha sido pela bebê ter aspirado uma substância referente a fezes que ficou na placenta assim que a bolsa “estourou”. “No final do parto, quando o colo dela estava praticamente todo dilatado, a bolsa estourou e foi constatado que o líquido amniótico estava espesso em uma quantidade grande de mecônio [fezes]. Muito provavelmente o que aconteceu foi que a criança aspirou o líquido. Foi para o pulmão. Isso já no final do parto. Não tinha nem como transformar em um parto cesariano”, descreveu.

Fonseca disse ainda que a gravidez da jovem estava na condição pós-termo [por ter quase 42 semanas], o que aumentava risco à criança e à gestante.

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