Saúde: a Bahia tem 1,3 médico por cada 1.000 habitantes

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O número é 38% menor que a média nacional, conforme avaliação do Conselho Regional de Medicina, que concluiu o levantamento do Censo Demográfico Médico em todo o País. O baixo índice decorre da falta de políticas públicas para fixação em municípios mais distantes e regiões menos desenvolvidas

A Bahia tem 20.708 médicos, que atendem uma população de 15,3 milhões de habitantes, o que dá uma proporção de 1,35 profissionais por mil habitantes. Os médicos especialistas são 57,5% do total de profissionais, contra 42,5% de generalistas, o que dá uma razão de 1,36 especialista para cada generalista. Os homens são 53,7% dos profissionais, contra 46,3% do sexo feminino. A idade média dos profissionais é de 45,2 anos, com um tempo de formação médio de 19,3. A maioria dos médicos (56,6%) está na faixa etária até 44 anos.

Os dados constam da pesquisa Demografia Médica 2018, realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com o apoio institucional do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo. O levantamento, coordenado pelo professor Mário Scheffer, usou ainda bases de dados da Associação Médica Brasileira (AMB, Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Ministério da Educação (MEC).

No Estado, a clínica médica concentra a maioria dos especialistas (1.917), seguida pela cirurgia geral (1.615), pediatria (1.510), ginecologia e obstetrícia (1.423) e anestesiologia (1.043). As especialidades com menor número de especialistas são genética médica (10), medicina física e reabilitação (20), radioterapia (26), medicina nuclear (32) e medicina esportiva, alergia e imunologista, cirurgia da mão, cirurgia torácica (36).

Salvador

Na capital baiana, com 2,9 milhões de pessoas, que são atendidas por 12.232 médicos, o que dá uma proporção de 4,14 profissionais por mil habitantes e uma concentração de 59,1% de médicos morando na capital. Desses profissionais, 51,9% são do sexo feminino e 48,1%, masculino. Os especialistas são 65,2% e os generalistas, 34,8% dos médicos que atendem na capital baiana.

Para os Conselhos de Medicina, os números apresentados confirmam o equívoco do Governo, que tem defendido o aumento da população de médicos como solução para resolver as dificuldades de acesso aos serviços de saúde no País. Pelos dados, esse crescimento não tem repercutido nas regiões mais distantes e menos desenvolvidas. Por outro lado, a presença significativa de profissionais  não tem sido suficiente para eliminar problemas graves de funcionamento da rede pública e de acesso aos serviços, decorrentes da falta de qualidade na gestão e da adoção de políticas públicas eficientes no setor.

Dados nacionais

Para uma população de 207,7 milhões de pessoas, o Brasil tem hoje 452,8 mil médicos, o que corresponde a 2,18 médicos por mil habitantes. Os homens são maioria nessa profissão, 55,1%, enquanto as mulheres são 44,9%. Em 2010, data de realização da primeira demografia médica, as mulheres eram 41% do conjunto de profissionais.

Na primeira Demografia Médica, os médicos generalistas correspondiam a 44,9%, contra 55,1% de especialistas. Agora, estes são 62,5, enquanto àqueles representam 37,5% dos profissionais. A razão entre especialistas e generalistas é de 1,66.  Segundo o coordenador da pesquisa, Mário Scheffer, este aumento no número de especialistas se deve não só à melhoria na formação, como a um aperfeiçoamento na captura de dados nas bases dos conselhos regionais de medicina, Associação Médica Brasileira (AMB) e Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).

Regiões

Enquanto a média nacional é de 2,18 médicos por mil habitantes, na Região Norte ela é de 1,16. Para uma população de 17,9 milhões de habitantes, o que corresponde a 8,6% de brasileiros, trabalham nessa região, 20.884 médicos, o que dá 4,6% dos médicos brasileiros .

Em seguida como pior distribuição de médicos está a região Nordeste, com 1,41 médicos por mil habitantes. Moram na região 80.623 médicos (17,8% do total de profissionais), para atender 57,2 milhões de nordestinos (27,6% da população). O estado nordestino com melhor proporção de médicos é Pernambuco (1,73) e o menor é Maranhão (0,87).

A região Sul vem em seguida, com 2,31 médicos por mil habitantes. São 68.430 médicos (15,2%) para uma população de 29,6 milhões (14,3%). O Centro-Oeste é a segunda região com melhor distribuição: 2,36. Nessa região, moram 15,8 milhões de habitantes (7,6% da população), que são atendidos por 37.536 médicos (8,3% desses profissionais).

O Sudeste, que responde por 41,9% da população brasileira, com 86,9 milhões de habitantes, também concentra o número de médicos: são 244.304 profissionais, que representam 54,1% da comunidade médica, o que dá uma proporção de 2,81 médicos por habitantes. O melhor percentual é no Rio de Janeiro, 3,55, e o pior em Minas Gerais, 2,30.