SAJ está entre as 10 cidades do país com mais mortes violentas por 100 mil habitantes

O ranking é referente aos registros de 2020.

Imagem: SSPDS-CE/Divulgação

Segundo o Anuário de Segurança Pública, a cidade de Santo Antônio de Jesus aparece em 7º lugar na lista de cidades com mais mortes violentas do país. Os dados levam em consideração cidades com mais de 100 mil habitantes. O dado foi divulgado hoje pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Oito das dez cidades com maiores taxas de mortes violentas intencionais do país ficam em regiões metropolitanas no entorno de quatro capitais do Nordeste. O ranking é referente aos registros de 2020. Dos 20 municípios com maiores taxas, 18 são da região Nordeste.

As cidades têm em comum, além da proximidade com a capital, serem municípios de porte médio com grande adensamento populacional e precária estrutura social e urbana.

Das oito cidades, três estão na Grande Fortaleza, entre elas Caucaia, que no ano passado liderou o ranking de taxa de mortalidade do país: 98,8 mortes por 100 mil moradores. No Brasil, a taxa de mortes violentas foi de 23,6.

O Ceará enfrenta há algum tempo uma guerra envolvendo três facções criminosas: PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho) e GDE (Guardiões do Estado). Essa disputa atinge não só a capital, como as cidades que estão entorno de Fortaleza e as maiores do interior do estado.

No caso de Caucaia, uma facção local, o “Comando da Laje”, que surgiu entre o final de 2019 e início de 2020 de uma dissidência da CV, trava uma guerra sangrenta com a GDE pelo comando do tráfico de drogas.

Entre as capitais brasileiras, Salvador é a que aparece primeiro, com a 30ª maior taxa de mortalidade violenta, com média de 49 assassinatos por cada 100 mil habitantes — metade da taxa de Caucaia.

Capitais têm mais políticas públicas e sistemas de segurança e justiça. Não é a primeira vez que as cidades do entorno das capitais aparecem na lista cidades mais violentas do país, superando as capitais. Em 2019, o UOL já havia mostrado que 10 cidades haviam ultrapassado capitais da região, no Atlas da Violência, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

“Enquanto as capitais ainda são alcançadas por um mínimo de políticas públicas e sistemas de segurança e justiça, as regiões metropolitanas se tornaram espaços privilegiados para atuação de grupos favorecidos tanto pela precarização de serviços”, afirmou, à época, Luiz Paiva, do LEV (Laboratório de Estudos da Violência).

O anuário divulgado hoje indica que os números de mortes violentas intencionais voltaram a aumentar no país em 2020, revertendo a tendência de queda dos dois anos anteriores —mesmo em meio às restrições impostas pela pandemia do coronavírus.

Para Aiala Couto, membro do Fórum e professor da Universidade do Estado do Pará, as principais facções do país ocuparam municípios do interior do Norte e Nordeste, onde há menor policiamento e mais possibilidade de estabelecer domínio territorial sem o enfrentamento das forças de segurança.

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