Perturbações no relógio biológico podem elevar risco de distúrbios de humor

Sugestão é do maior estudo observacional já realizado sobre a relação entre irregularidades no chamado ciclo circadiano e problemas mentais.

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Perturbações no relógio biológico podem aumentar o risco de desenvolvimento de distúrbios de humor como depressão severa e desordem bipolar, além de reduzir o bem-estar geral. A sugestão é do maior estudo observacional já realizado sobre a relação entre irregularidades no chamado ciclo circadiano e problemas mentais, envolvendo mais de 91 mil pessoas no Reino Unido e publicado nesta terça-feira no periódico científico “The Lancet Psychiatry”.Fruto de bilhões de anos de evolução da vida na Terra em resposta à sucessão de dias e noites em nosso planeta, e por isso praticamente onipresente na natureza, o ciclo circadiano governa diversos processos biológicos dos mais variados organismos, de plantas a animais, afetando desde a digestão e metabolismo até a circulação. Assim, não é de surpreender que sua perturbação também influencie estados mentais, ou vice-versa.

Mas estudos em grande escala dos efeitos das desregulações do relógio biológico também são notoriamente difíceis de realizar, tanto por complexidades no acompanhamento dos participantes quanto pela enorme variabilidade dos chamados “cronotipos” (por exemplo, pessoas que preferem acordar muito cedo, ou que gostam de dormir muito tarde) e suas reações a estas perturbações. Diante disso, os pesquisadores liderados por Laura Lyall, da Universidade de Glasgow, na Escócia, recorreram aos dados de um dos maiores estudos de um tipo conhecido como de coorte já feito no mundo.

Batizado UK Biobank, este estudo contou com a participação de mais de meio milhão de residentes do Reino Unido de 37 a 73 anos de idade entre 2006 e 2010. Neste período, os voluntários passaram por diversas avaliações físicas e cognitivas, além de responderem a questionários sobre seu estilo de vida e humor. Posteriormente, entre 2013 e 2015, cerca de 100 mil deles foram convidados e concordaram em usar um acelerômetro durante sete dias como parte de uma investigação sobre atividade física, com a grande maioria também completando um questionário on-line sobre saúde mental entre 2016 e 2017.

Assim, os cientistas usaram os dados dos acelerômetros para inferir perturbações que os participantes estariam enfrentando no seu ciclo circadiano, montando seus padrões de descanso e atividade ao longo do dia e medindo sua chamada amplitude relativa. Este cálculo procura a diferença relativa entre suas 10 horas consecutivas mais ativas dos períodos de cinco horas seguidas de menor atividade ao longo de 24 horas, de forma que uma baixa amplitude relativa reflita maior atividade em horas de descanso, em especial à noite, e/ou inatividade durante o dia. Leia mais AQUI.