Pandemia pode reduzir acesso de crianças refugiadas à educação

O alerta neste sentido, segundo a Agência Brasil, consta no relatório Unindo Forças pela Educação de Pessoas Refugiadas.

Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Na avaliação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a pandemia do novo coronavírus deve acentuar as dificuldades para o acesso de crianças refugiadas à educação, já que a crise sanitária pode justificar a negação deste direito.

O alerta neste sentido, segundo a Agência Brasil, consta no relatório Unindo Forças pela Educação de Pessoas Refugiadas, realizado com base na análise de dados dos 12 países que concentram mais da metade da população de refugiados: Chade, Etiópia, Iraque, Jordânia, Líbano, Paquistão, Quênia, Ruanda, Sudão do Sul, Tanzânia, Turquia e Uganda. Apesar deste recorte, o alerta vale também para outras localidades, pois as políticas adotadas na pandemia podem dificultar o acesso de crianças e adolescentes à escola.

De acordo com as Nações Unidas, até o final de 2019, 79,5 milhões de pessoas foram sujeitadas a deslocamentos forçados, das quais 26 milhões tiveram formalmente o reconhecimento como refugiadas. No período, 264 mil recorreram ao governo brasileiro para reconhecimento da condição de refúgio. Desse total, cerca de 50 mil refugiados, de 55 nacionalidades, adquiriram o status formalmente, sendo que 90% eram provenientes da Venezuela e 4% crianças.

Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a pandemia já tem gerado exclusão escolar para os mais pobres. A chefe do escritório do Acnur em São Paulo, Maria Beatriz Nogueira, explica que a anulação de direitos ocorreu não apenas quanto à oferta educacional, mas também no âmbito da conectividade, que é essencial no ensino remoto. Além da falta de internet, foram observados ainda problemas de acesso à água potável, habitação, transporte, saneamento básico e oportunidades de emprego.

“As crianças começam uma atividade diária, o ensino da língua local é potencializado de uma forma exponencial, os pais começam a conviver, preconceitos começam a ser desfeitos, novos apoios começam a surgir. Então, sempre, de nossa experiência, é uma das principais ferramentas, senão a principal, de inclusão social das famílias e isso está cada vez mais distante nesse contexto de pandemia”, diz Maria Beatriz Nogueira, destacando a importância do ambiente escolar para a integração dos refugiados.

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