Núcleo ideológico do governo pressiona para Bolsonaro demitir general Ramos

Ministro da Secretaria de Governo entrou em rota de colisão com o ministro do Meio Ambiente nesta semana.

Foto: Marcos Corrêa/PR

A troca de farpas entre o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, pode resultar na demissão do militar do governo. Isso porque a ala idelógica do Planalto, liderada pelos filhos do presidente Jair Bolsonaro, iniciou uma ofensiva para convencer o chefe do Executivo da troca.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a pressão, que ocorre nos bastidores desde agosto e até agora vinha sendo refutada pelo presidente, tornou-se pública ontem (23), após Salles ter citado nominalmente Ramos nas redes sociais e pedido ao militar para parar com uma postura de “maria fofoca”.

O estopim para a crise foi uma nota publicada pelo jornal O Globo, que afirmava que o ministro estava esticando a corda com a ala militar do governo em decorrência do episódio envolvendo a falta de recursos no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Na ocasião, Salles disse que, sem dinheiro, brigadistas interromperiam atividades de combate a incêndios e queimadas. A decisão do ministro do Meio Ambiente de tornar público o embate, segundo assessores palacianos, busca tentar acelerar o desgaste de Ramos para que seja possível convencer Bolsonaro a incluir o general na minirreforma ministerial programada para fevereiro.

Esta seria a segunda vez que um ministro militar seria demitido após pressão da ala ideológica. O primeiro foi Santos Cruz, que também comandava a Secretaria de Governo. O grupo que defende a substituição de Ramos conta com o respaldo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Para reforçar o apoio a Salles, o filho 03 do presidente postou mensagem desejando “força” ao ministro. “O Brasil está contigo e apoiando seu trabalho”, escreveu.

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