Mortes por causa da crise da Covid-19 saltaram 42% em quatro capitais, diz Fiocruz

Foram 22.273 óbitos a mais do que o esperado para o período, sendo 14.918 oficialmente causados pela doença.

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estimou o número de mortes naturais que ocorreram “em excesso” em capitais que sofreram de forma intensa a crise do novo coronavírus. Segundo o trabalho, os óbitos saltaram 42% em relação ao que era esperado para 2020. A informação é da coluna de Mônica Bergamo, na Folha.

O trabalho contabilizou todas as mortes de pessoas maiores de 20 anos que ocorreram nas cidades de São Paulo, Fortaleza, Rio e Manaus, causadas por doenças como câncer, infarto, acidentes vasculares e problemas respiratórios, o que inclui a Covid-19. Foram excluídas mortes por causas violentas como homicídio e acidentes.

Segundo a pesquisa, entre 23 de fevereiro e 13 de junho, quando a epidemia explodiu no país, 74.406 pessoas morreram nas quatro capitais. Eram esperadas 52.133 mortes, com base no período anterior de cinco anos. O indicador de mortalidade costuma se manter estável e só sofre aumentos bruscos em situações de desastres naturais, guerras ou epidemias.

Do excedente de 22.273 mortes, 14.918 tiveram como causa oficial a Covid-19. As demais 7.355 ocorreram por outros motivos, mas também podem estar ligadas à crise do coronavírus. Segundo o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz, um dos autores da pesquisa, o cenário causado pela pandemia fez com que doentes de outras enfermidades não encontrassem atendimento em hospitais colapsados, ou mesmo que evitassem buscá-los.

“O escandaloso número de mortes excedentes não foi obra do acaso, mas da má gestão da epidemia. Elas poderiam ter sido evitadas. As propriedades quase milagrosas atribuídas à cloroquina e a narrativa da preservação da economia mostrou-se ineficaz e pode seguir causando milhares de mortes”, disse, em entrevista à coluna.

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