Mais de 31 mil pessoas morreram em decorrência da recessão, diz estudo

Estudo inédito mostra que crise econômica fez subir taxa de mortalidade no país.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A recessão teve consequências mais nefastas que o aumento do desemprego, revela estudo inédito que conclui: 31.415 pessoas de 15 anos ou mais tiveram a morte relacionada aos efeitos da crise econômica.

Segundo reportagem do jornal O Globo, a pesquisa é resultado de parceria de economistas e médicos sanitaristas do Brasil e Reino Unido. O grupo constatou que, a cada ponto percentual de aumento na taxa de desemprego, a mortalidade sobe 0,5 ponto percentual. São mortes que poderiam ser evitadas, dizem os autores.

No período de 2012 a 2017, a taxa de desemprego subiu de 8,4% para 13,7%. E a taxa de mortalidade aumentou 8%, de 143 mortes por cem mil habitantes para 154 mortes por cem mil. Metade dessa alta está relacionada à recessão.

Os autores do estudo, publicado por uma das mais respeitadas revistas científicas do mundo voltadas para saúde, a Lancet Global Health, compararam dados de mais de cinco mil cidades brasileiras. Constataram que onde havia mais gastos com o Sistema Único de Saúde (SUS) e programas como Bolsa Família, os efeitos da recessão foram pouco sentidos na mortalidade. Os mais atingidos pelo aumento da mortalidade foram homens negros, entre 30 e 59 anos.

“As recessões parecem particularmente ruins para a saúde em países que não têm programas de assistência médica e proteção social fortes. É essencial que o Brasil proteja os investimentos no SUS e no Bolsa Família, que são reconhecidos internacionalmente e fornecem proteção vital para a saúde e o bem-estar do país”, afirmou o autor principal do estudo, Tom Hone, do Imperial College London.

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