Governo Bolsonaro passa a permitir erros e propagandas em livros didáticos

Mudança no edital ainda abre espaço para conteúdos que não sejam baseados em pesquisas, já que não há necessidade de citação da origem da informação

O governo de Jair Bolsonaro mudou, no último dia 2, o edital para os livros didáticos que serão entregues em 2020. De acordo com as novas normas, os materiais não precisarão mais ter referências bibliográficas. Também foi retirado o item que impedia publicidade e erros de revisão e impressão.

As mudanças abrangem os livros que serão comprados pelo Ministério da Educação (MEC) para alunos do ensino fundamental 2 (6º ao 9º ano) das escolas públicas do País. As obras, no entanto, já foram enviadas pelas editoras ao MEC para avaliação, no último mês de novembro.

Agora, as empresas temem que seus livros sejam reprovados ou que materiais de baixa qualidade sejam incluídos. O processo de avaliação das obras se dará ao longo do primeiro semestre e as empresas serão comunicadas se seus livros serão ou não comprados pelo governo federal.

O item sobre propagandas retirado do edital mencionava que os livros não poderiam ter “publicidade, de marcas, produtos ou serviços comerciais”. Assim, não era permitido incluir ilustrações, mesmo que para análise de texto, por exemplo, de um anúncio verdadeiro.

A mudança das regras também abre espaço para conteúdos que não sejam baseados em pesquisas, já que não há necessidade de citação da origem da informação. Outro item retirado foi a exigência de as ilustrações retratarem “adequadamente a diversidade étnica da população brasileira, a pluralidade social e cultural do país”.