‘Fico muito triste pelo Brasil’, disse Luciano Huck sobre prisão de Lula

Apresentador afirmou que não há chance de ser candidato agora, mas deixa a possibilidade em aberto para o futuro

O apresentador Luciano Huck, que discutiu no último ano sua candidatura à presidência da república, descartou de vez a chance de concorrer ao Palácio do Planalto. Questionado sobre a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o apresentador lamentou, mas lembrou que ninguém está acima da lei: — Eu fico muito triste pelo Brasil. Acho que homem com a capacidade de comunicação que ele tem, com a capacidade do olhar social que ele tem.

Ele disse que o Brasil precisava do olhar social do Lula e descartou que uma política totalmente liberal vá resolver os problemas do país: — Nas minhas andanças pelo Brasil nesse último ano foi muito frequente eu ouvir que o Brasil precisa de agenda liberal. Eu tenho absoluta certeza que você pode fazer a agenda liberal que quiser que você não vai incluir a dona Sebastiana semi-analfabeta com seis filhos em Inaja, no interior de Pernambuco, na sociedade. Acho que o país tem que ser um país liberal, uma economia aberta, mas se não tiver olhar social muito forte no combate à desigualdade o país nunca vai ser o país que a gente gostaria que ele fosse. Sob essa ótica eu fico muito triste em relação ao presidente Lula porque ele tem esse olhar social — disse.

Mas o apresentador falou, contudo, que “a justiça vale para todo mundo”: — Saquearam o Estado. Colocaram o Estado a favor de um grupo político, do projeto político de um grupo e não do país todo. Por mais que ele tivesse vontade legítima de inclusão e isso está claro em todas as coisas que ele fez ao longo da vida, mas o grupo que o cercava não estava fazendo isso, estava pilhando o Estado. Toda ação tem reação e consequência e é o que está acontecendo agora, o que é um pena, uma tristeza.

Huck também afirmou que o momento não é de polarização: — O que é uma pena, é uma tristeza, como eu comecei falando aqui, você personificar como vilão ou como herói é muito ruim — afirmou. — É ruim você ter essa polarização, a hora não é de discussão, a hora não é de esquerda ou de direita, é um momento tão difícil do país que você tem que conversar com todo mundo, com todos os lados, a gente tem que ouvir as melhores ideias a gente tem que colocar em prática a ideia independente de onde ela nasceu. Então eu sou um construtor de pontes e nosso dever de todos nós aqui é tentar minimizar a polarização e tentar fazer do país um Brasil.

Falando no encerramento do Brazil Conference at Harvard & MIT, ele brincou com o prazo final de filiação partidária: — Hoje se fecha a janela eleitoral no Brasil. Dizem que quando você sai a noite em Las Vegas, dizem que você pode voltar sem dente. Bom, ontem as pessoas que sairam na noitada aqui ficaram com medo de voltar filiado em um partido. Achei melhor ficar em casa, no hotel — disse, arrancando risos da platéia. — Não tem nenhum risco, Jorge (Paulo Lemann, que estava na plateia), esta última semana eu passei na Sibéria.

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