Diretor da OMS diz que risco de contaminação por covid na Olimpíada é inevitável

Tedros Adhanom destacou que "não há risco zero na vida".

Foto: Fabrice Coffrini / AFP

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta quarta-feira que o risco de contaminação por covid-19 na Olimpíada de Tóquio é inevitável. Por isso, ele acredita que os Jogos não devem ser avaliados pelo número de casos que serão registrados até o dia 8 de agosto, data de encerramento do grande evento esportivo.

“A marca do sucesso do evento não é registrar nenhum caso de covid-19. É garantir que todos os casos sejam identificados, isolados, investigados e cuidados o mais rápido possível para que a transmissão seja interrompida”, declarou o dirigente da OMS, em reunião com o Comitê Olímpico Internacional (COI), na capital japonesa.

Tedros Adhanom destacou que “não há risco zero na vida” e afirmou que o Japão “pode dar coragem a todo o mundo” com a realização dos Jogos. “Que os raios de esperança desta terra iluminem um novo amanhecer por um mundo mais saudável, seguro e justo. É sincera a minha esperança que os Jogos de Tóquio sejam bem-sucedidos.”

O número de casos de covid-19 relacionados à Olimpíada chegou a 79 no Japão nesta quarta-feira, com novos atletas apresentando testes positivos para o novo coronavírus. Especialistas temem que o evento possa espalhar o vírus por mais países, aumentando, claro, o número de casos também em solo japonês.

Apesar das sua mensagem de esperança junto ao COI, o diretor-geral da OMS aproveitou a ocasião para reprovar a forma como a pandemia vem sendo tratada na maior parte dos países. “A pandemia é um teste e o mundo está sendo reprovado”, declarou. Ele disse também que é uma “enorme injustiça” que 75% das vacinas do mundo contra a covid-19 estejam concentradas em apenas dez países.

O dirigente alertou que a pandemia ainda não acabou. E disse que muitos estão vivendo num “paraíso dos tolos” porque acreditam no fim da pandemia apenas porque a transmissão está controlada em seus países. “A pandemia vai acabar quando o mundo decidir que quer encerrá-la. Está nas nossas mãos”, afirmou.

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