Desperdício de água é de 38,4% na Bahia; 710 piscinas olímpicas por dia

Especialistas criticam nível de perdas na distribuição e sugerem investimentos

Não tem uma semana em que não aconteça. Pelo menos uma vez a cada sete dias, os moradores de Livramento de Nossa Senhora, no Sudoeste do estado, ficam sem água. É sempre sem aviso: de repente, abrem a torneira para descobrir que nada vai cair de lá. As duas rádios da cidade recebem ligações de ouvintes reclamando do problema praticamente todos os dias.

“Quando construí minha casa, há 12 anos, já foi pensando nesse problema. Coloquei uma caixa d’água, porque é muito comentado na cidade. Quem não tem (caixa), sofre”, conta uma moradora que não quis se identificar. No início do mês, uma região chegou a ficar mais de 20 dias sem água.

O que os moradores não sabem é que a cidade até poderia ter água – o problema é que a água não chega lá. Livramento de Nossa Senhora é uma das cidades que, segundo a Embasa, fazem parte dos sistemas com maiores índices de perdas reais (ou seja, quando há vazamentos nas tubulações e extravasamento de reservatórios). A situação é ainda pior no distrito de Itanagé, que concentra 4,4 mil, dos 42,6 mil habitantes do município.

Em todo o estado, a perda de água é considerada elevada. Em 2016, a Bahia desperdiçou – ou, no sentido técnico, perdeu – 648 milhões de metros cúbicos de água, somente durante a fase de distribuição, de acordo com o Sistema Nacional sobre Informações de Saneamento (Snis), do Ministério das Cidades. Isso representa 38,4% do total de água disponível para o estado e equivaleria à quantidade assustadora de 710 piscinas olímpicas por dia. O ‘aceitável’, para o próprio Snis, seria um índice de, no máximo, 20% de perda.

Os dados do Snis correspondem a 395 das 417 cidades baianas – dessas, 366 atendidas pela Embasa – e são fornecidos anualmente ao Ministério das Cidades por prestadores de serviços (como a própria Embasa) e por prefeituras responsáveis pela gestão do fornecimento de água e saneamento. Atualmente, as estatísticas de 2017 estão sendo coletadas.

Com percentual de perdas maior do que o próprio Brasil (de 38%), a Bahia é o 15º estado que mais perde água no ranking nacional. A lista é liderada pelo Amapá, que chega a 70,5%. A melhor situação é a do Tocantins, com 30,1%. Em todo o Brasil, essas perdas significaram um prejuízo de R$ 10 bilhões por ano.

O diretor de Águas do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Eduardo Topázio, também diz que as perdas poderiam evitar o desabastecimento em alguns locais.

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