Delator recua e diz que não foi coagido ao tratar sobre sítio de Atibaia

“Com relação à expressão 'construir um relato', esclareço que nada tem a ver com 'inventar um relato'”, afirmou Carlos Armando Paschoal.

Foto: Reprodução/ Youtube

Ex-executivo da Odebrecht, o delator Carlos Armando Paschoal recuou e disse que não foi coagido a “construir um relato” no caso do sítio de Atibaia (SP), que rendeu ao ex-presidente Lula a segunda condenação na Lava Jato, informa a colunista Mônica Bergamo, da Folha.

Em depoimento ao juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública em São Paulo, na última sexta-feira (9), o delator afirmou que se expressou de forma inadequada em audiência anterior.

No primeiro depoimento, em julho, Paschoal declarou: “No caso do sítio, que eu não tenho absolutamente nada, por exemplo, fui quase que coagido a fazer um relato sobre o que tinha ocorrido. E eu, na verdade, lá no caso, identifiquei o engenheiro para fazer a obra do sítio. Tive que construir um relato”.

Ao se retratar, o ex-executivo disse: “Quanto à expressão ‘quase coagido’ e minha colaboração envolvendo o ex-presidente Lula no sítio de Atibaia, reafirmo, como o fiz em meu interrogatório naquela ação penal, que referida colaboração foi feita de maneira livre e espontânea. Admito que não me expressei de maneira adequada em meu depoimento como testemunha no dia 3 de julho de 2019, em São Paulo”.

“Com relação à expressão ‘construir um relato’, esclareço que nada tem a ver com ‘inventar um relato’”, completou.

Paschoal relatou ainda sua colaboração no caso do sítio: “O que ocorreu, de fato, é que, durante o início da negociação das colaborações, na minha percepção de engenheiro, minha participação nesse assunto teria sido tão irrelevante que não justificaria um relato. Entretanto, fui orientado pelo meu advogado, e concordei, a produzir um relato sobre o caso do sítio de Atibaia pois me convenci que era um assunto relevante mesmo que a minha participação e conhecimento fossem mínimos e pudessem não ter importância criminal. Esse é o mais curto e conciso de todos os meus relatos, porque realmente meu envolvimento nos fatos relacionados ao sítio foi pontual: basicamente tendi um pedido de um diretor da holding, Alexandrino Alencar, e transmiti referido pedido a um diretor de contrato por mim escolhido, Emir Costa”.

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