Defendida por Bolsonaro, cloroquina aumenta risco de morte em pacientes, diz estudo

Mesmo associado a outros antibióticos, medicamento pode aumentar em 45% as chances de morte por arritmia, segundo pesquisa publicada na revista científica Lancet.

Foto: Marco Santos / Agencia Pará

Uma pesquisa científica publicada na revista Lancet com 96 mil pacientes aponta que a hidroxicloroquina e a cloroquina não apresentam benefícios contra a Covid-19. Os resultados divulgados hoje (22) mostram, ainda, que também não há melhora na recuperação dos infectados, mas existe um risco maior de morte e problemas cardíacos durante a hospitalização pelo coronavírus. É o maior estudo já feito sobre o uso do medicamento no tratamento da doença.

Para a realização do estudo, foram observados 96.032 pacientes com idade média de 53,8 anos, internados em 671 hospitais de seis continentes. Do total, 14.888 pacientes receberam 4 tipos de tratamentos diferentes com a cloroquina e a hidroxicloroquina. As hospitalizações ocorreram entre 20 de dezembro de 2019 e 14 de abril de 2020.

Segundo os autores da pesquisa, os pacientes medicados com as substâncias, incluindo em combinações com outros medicamentos aprovados, demonstraram risco maior de morte hospitalar e de desenvolvimento de arritmia cardíaca.

Entre os pacientes que tomaram a hidroxicloroquina, houve aumento de 34% no risco de mortalidade e de 137% no risco de arritmias cardíacas graves. Combinada com antibióticos, a droga aumentou em até 45% o risco de morte nos pacientes e em 411% a chance de arritmia cardiaca grave.

Já a cloroquina, quando administrada sozinha, representou um aumento de 37% no risco de mortalidade e de 256% em arritmia cardiaca. Quando combinada com um antibiótico, ela continuou apresentando o mesmo risco de mortalidade e um aumento de 301% no risco de arritmias cardíacas graves.

Compartilhe