Cerca de 65% das pessoas que têm HIV sofreram discriminação

Estigma dificulta acesso aos serviços de saúde.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Cerca de 64,1% das pessoas com o vírus HIV sofreram algum tipo de discriminação, segundo dados do Unaids, programa da ONU, presentes na pesquisa Índice de estigma em relação às pessoas vivendo com HIV/aids – Brasil, divulgada na última terça-feira (10).

Devido à isso, oito em cada dez pessoas têm dificuldade de revelar que carregam o vírus. “As pessoas percebem que não vão ser aceitas pela família, por amigos e até pessoas que elas não conhecem”, disse o responsável pela pesquisa, o psicólogo Ângelo Brandelli Costa.

O estigma dificulta que essas pessoas procurem tratamento. “As pessoas se isolam, não vão buscar direitos, não vão buscar o próprio remédio, não vão buscar emprego por conta do temor em relação a viver com HIV”, apontou o membro da organização não governamental (ONG) Gestos, de Recife, Jô Meneses.

A discriminação que leva ao pouco acesso ao tratamento acarreta, no caso de mulheres grávidas, na transmissão vertical para o filho, caso que pode ser evitado com protocolo de saúde e medicamentos. “Algumas mulheres estão à deriva. É uma morte civil. Quando você escuta vários tipos de discriminação e quem sofreu não querer contar, ou não poder contar, se sentindo com vergonha, se sentindo suja, como se algo errado tivesse feito, quando foi uma prática social que todos fazem”, diz a pesquisadora Silvia Aloia.

Compartilhe