Bolsonaro substitui integrantes da comissão especial de mortos na ditadura

Decisão foi uma semana depois do colegiado ter afirmado que a morte de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, e Felipe Santa Cruz, foi "violenta" e "causada pelo Estado”.

Foto: Arquivo/ Agência Brasil

Uma semana depois da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) ter afirmado que a morte de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, e Felipe Santa Cruz, foi “violenta” e “causada pelo Estado”, quatro dos sete integrantes do colegiado foram trocados.

A informação está publicada no Diário Oficial da União de hoje (1º). A decisão foi do presidente Jair Bolsonaro e a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, de acordo com o site BR18.

Na última segunda-feira (29), Bolsonaro afirmou que se o advogado quisesse, poderia contar como seu pai desapareceu durante o regime militar.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade”, declarou.

A declaração de Bolsonaro foi criticada pela então presidente da comissão, Eugênia Augusta Gonzaga. Ela foi substituída hoje por Marco Vinicius Pereira de Carvalho, advogado filiado ao PSL e assessor da ministra Damares.

“É muito grave essa declaração. Ele (Bolsonaro) está transformando um dever oficial, que é dar informações aos familiares, que ele já deveria ter cumprido, em uso político contra um crítico do seu governo”, afirmou Gonzaga, de acordo com o portal UOL.

A comissão especial foi criada em 18 de dezembro de 1995, por meio de decreto, com a função de proceder ao reconhecimento de pessoas desaparecidas e localizar os corpos no caso da existência de indícios quanto ao local de ocultação ou sepultamento.

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