Bolsonaro procura ‘caciques da política’ para evitar isolamento diante de crise com PSL

Apesar do movimento do presidente, o governo tem mantido o discurso de que não cederá à práticas da “velha política”

Foto: Antonio Cruz\ Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) mudou de atitude e passou a procurar antigos caciques da política para evitar um isolamento diante da crise interna no seu partido.

De acordo com reportagem da Folha de hoje (21), após dez meses de governo, ele resgatou a prática dos antecessores de receber líderes partidários.

Nas últimas duas semanas, o presidente se reuniu com presidentes de dois partidos que atuam com o chamado ‘Centrão’: Baleia Rossi, do MDB, e Gilberto Kassab, do PSD.

O movimento de Bolsonaro deve continuar, por meio de reuniões com líderes de outras legendas, quando ele retornar de uma viagem de duas semanas por Ásia e Oriente Médio.

Kassab foi convidado pelo presidente para um café da manhã no Palácio da Alvorada na última sexta-feira (18). O compromisso que não constava da agenda oficial.

“Eu converso com todo mundo. Uns eu convido, outros querem vir. Eu converso com todo mundo. É o papel de um presidente. Eu quero paz para poder governar. Temos problemas enormes para poder resolver”, declarou Bolsonaro, à imprensa, logo após se encontrar com o líder do PSD.

A declaração de Bolsonaro se opõe à forma como o presidente se referia a Kassab durante a campanha eleitoral. Para o presidente, ele não sabia diferenciar “gravidez de gravidade”. Kassab foi ministro de Ciência e Tecnologia do governo Michel Temer e das Cidades da gestão Dilma Rousseff .

Já o encontro com Rossi foi na semana passada, no Palácio do Planalto, e contou com a presença do ministro responsável pela articulação política do governo, o general Luiz Eduardo Ramos.

O presidente do MDB enxerga de maneira positiva a tentativa de Bolsonaro de buscar diálogo, no entanto, se declara independente.

“Não temos nenhuma intenção de aderir ao governo e muito menos de indicar nenhum tipo de cargo. Não temos essa expectativa e não queremos isso”, disse. “Esse diálogo é sadio e republicano”, completou.

O MDB angariou mais espaço com a destituição de Joice Hasselmann (PSL-SP) da liderança do governo no Congresso, já que o senador Eduardo Gomes (TO) assumiu a vaga.

Bolsonaro tem recebido também quadros do DEM, a exemplo do ex-deputado Alberto Fraga (DF), e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP).

Apesar do movimento do presidente, o governo tem mantido o discurso de que não cederá à práticas da “velha política”. O objetivo dos encontros, conforme interlocutores do Palácio do Planalto, é conquistar apoio das legendas.

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