Ausência de profissionais preparados na saúde básica dificulta identificação de hemofílicos

Os pacientes hemofílicos possuem o sangue mais fino e tem problemas na coagulação, com isso estão sujeitos a hemorragias de maneira mais recorrente.

A falta de especialistas hematologistas e pediatras capacitados nas unidades básicas de saúde é apontada pelo médico e professor universitário Hugo Carvalho como um dos grandes obstáculos na identificação de pacientes hemofílicos na Bahia.

Com incidência de um a cada cinco mil nascidos vivos em um dos tipos da doença, especialistas chamam atenção para a Hemofilia no Dia Internacional da doença (17 de abril). Os pacientes hemofílicos possuem o sangue mais fino e tem problemas na coagulação, com isso estão sujeitos a hemorragias de maneira mais recorrente.

A doença impacta diretamente na qualidade de vida dos pacientes, principalmente na infância. Segundo explicação da diretora de Hematologia da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba), Anelisa Streva, o atrito e impacto causados por algumas brincadeiras podem causar complicações ao hemofílico, que podem ir de dificuldade de locomoção, devido a sangramento nas articulações, até acidente vascular encefálico.

Na Bahia, o centro de saúde especializado no atendimento de pacientes da doença é o Hemoba, com cerca de 1,5 mil atendimentos por mês na unidade de Salvador. A atenção a estes pacientes também é feita na unidade de Juazeiro, norte do estado. Aquelas pessoas de outras cidades do interior da Bahia tem que procurar essas duas unidades para ter acesso ao acompanhamento e a medicação necessária.

“Os pacientes do interior vem a unidade a cada três meses, realizam os exames e leva a medicação relativa ao tempo de retorno”, disse Anelisa.

No Hemoba, os hemofílicos são submetidos a reposição de proteína no sangue, através do “Fator 8”, esse procedimento é chamado de “profilaxia”. Com ele, os pacientes conseguem aumentar a qualidade de vida.

O hematologista Hugo Carvalho destacou a importância de diagnóstico na infância e afirmou que é o que geralmente acontece. Mas o médico também sinalizou que existem casos pontuais em que a pessoa convive com a doença sem saber. Anelisa Streva explicou que a Hemofilia existe em três “níveis” de gravidade, e nos casos mais leves isso é possível de acontecer.

Carvalho apontou ainda os sintomas com que os pais devem estar atentos. “Quando a criança começa a engatinhar e começa a ter hematomas. Sangramentos nas gengivas também são um sinal que deve ser observado”. O diagnóstico é feito a partir de um teste de coagulação, realizado apenas após o aparecimento dos primeiros sintomas, e não de modo corriqueiro.

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